julho 03, 2006

Sou eu em suspenso.

Tenho uma ligeira dor de cabeça. Não, dói-me a cabeça. E o pescoço. E agora que falo nisso, doem-me os ombros e os braços. Sinto o coração apertado. Não me dói, mas aperta. Quase que me esmaga. Doi-me a alma, essa sim, dói. E quando nos dói a alma custa falar, dizem até que custa andar. Eu não ando. Porque me doem os pés e as pernas. Sou puré. Esmaguei tudo por dentro e, com tanta lágrima engolida, fiz farinha. Sou um bolo. Enchi-me de fermento e cobertura de chocolate. Sou grande e bonito, mas oco. Sou impróprio para consumo, ou assim parece.

Sou um fado com dor. Sou saudade e melancolia. Sou tudo aquilo que nunca julguei vir a ser.

Sou só.

Sou tanta coisa sem a poder partilhar. Sou o presente o passado e o futuro, num segundo finito.

Doem-me os olhos de tanto olhar para mim. Sou cego.

2 comentários:

MadameZen disse...

à deriva na forma de estar, uma liberdade audaz nas palavras. A cor de quem pensa que sabe, mas tem receio de acreditar que sabe quem é.

Xanusca disse...

Sou o que em mim sente. Uns dias, pó, outros dias nada. Há dias até que gosto de mim! mas esses... serão sempre a excepção